Consumidores diante de displays, tela digital e ilha promocional no ponto de venda.
Mídia Extensiva

Publicidade no ponto de venda: como influenciar a última decisão de compra

A decisão de compra nem sempre está concluída quando o consumidor entra em uma loja. Mesmo que ele já conheça algumas marcas ou tenha pesquisado preços, o contato com a exposição, a embalagem, a oferta e a comunicação no ponto de venda pode confirmar uma preferência, estimular uma troca ou despertar uma compra não planejada.

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É nesse momento que a publicidade no ponto de venda ganha importância. Displays, totens, adesivos, ilhas promocionais, testeiras, telas e demonstrações ajudam a destacar produtos e orientar o consumidor em um ambiente no qual várias marcas disputam atenção simultaneamente.

Entretanto, ocupar um espaço visível não garante conversão. A campanha precisa aparecer no local adequado, comunicar um benefício compreensível e encontrar o produto disponível para compra. Também deve ser planejada de acordo com o perfil da loja, a categoria, o comportamento do público e o objetivo comercial.

Com o avanço do retail media, o ponto de venda físico também passa a integrar estratégias baseadas em dados, segmentação e mensuração. A comunicação dentro da loja deixa de ser uma ação isolada e pode se conectar ao aplicativo do varejista, ao comércio eletrônico, aos programas de fidelidade e ao histórico de vendas.

O que é publicidade no ponto de venda?

Publicidade no ponto de venda é a comunicação apresentada ao consumidor no estabelecimento em que a compra pode ser realizada. Ela pode informar, destacar, comparar, demonstrar ou incentivar a escolha de um produto, serviço ou marca.

O ponto de venda, ou PDV, não se limita ao supermercado. A estratégia pode ser utilizada em farmácias, lojas de materiais de construção, conveniências, shopping centers, concessionárias, livrarias, lojas de departamentos, estabelecimentos especializados e diferentes ambientes comerciais.

Sua principal característica é a proximidade com a possibilidade de conversão. Diferentemente de uma campanha que alcança o público antes da visita, a comunicação no PDV encontra o consumidor diante de produtos, preços e alternativas concorrentes.

Isso torna o contexto especialmente relevante. Uma mensagem vista na entrada da loja pode despertar interesse; outra, posicionada na categoria, pode favorecer comparação; uma terceira, próxima ao caixa, pode estimular uma compra complementar.

Qual é a função dos materiais de PDV?

Os materiais de PDV podem cumprir diferentes funções dentro da jornada de compra:

  • Sinalizar onde o produto está;
  • Aumentar a visibilidade de uma marca;
  • Comunicar uma promoção;
  • Explicar benefícios ou formas de uso;
  • Apresentar um lançamento;
  • Diferenciar versões de uma mesma linha;
  • Incentivar experimentação;
  • Estimular compras adicionais;
  • Direcionar o consumidor a um canal digital.

Para que funcionem, forma e mensagem precisam estar alinhadas. Uma comunicação que busca apenas identificar uma seção deve ser objetiva e facilmente reconhecível. Já um produto desconhecido pode exigir demonstração, explicação ou degustação.

Também é importante distinguir presença de impacto. Distribuir muitos materiais pela loja pode aumentar a exposição, mas também gerar poluição visual e concorrer com informações de preço, circulação e segurança. A comunicação deve facilitar a decisão, e não tornar o ambiente mais confuso.

Displays, totens, adesivos, ilhas e testeiras: quando usar cada formato?

Cada formato interfere de maneira diferente na atenção e na circulação do consumidor.

FormatoAplicação principalPonto de atenção
DisplayDestacar, organizar ou disponibilizar produtosPrecisa estar abastecido e não pode dificultar a circulação
TotemGerar visibilidade, orientar ou apresentar uma campanhaDeve ser compreendido rapidamente e estar em posição segura
AdesivoAproveitar pisos, vitrines, paredes, portas ou equipamentosExige aplicação de qualidade e respeito à sinalização da loja
Ilha promocionalCriar exposição adicional fora da prateleira habitualDepende de estoque, reposição e localização coerente
TesteiraIdentificar e destacar uma marca ou categoria no alto da exposiçãoPrecisa permanecer legível à distância
Faixa de gôndolaChamar atenção no ponto exato de escolhaNão deve esconder preços ou informações obrigatórias
StopperInterromper visualmente a sequência da prateleiraO excesso reduz o destaque e pode atrapalhar o acesso
MóbileCriar presença visual acima da área de vendaMovimento, altura e quantidade precisam ser controlados

A escolha não deve começar pelo formato mais chamativo. É necessário observar a distância de leitura, o fluxo de pessoas, o tempo disponível, a quantidade de informações e a relação entre o material e o produto anunciado.

Uma ilha pode funcionar para lançamentos, datas sazonais ou grandes volumes promocionais. A testeira ajuda a identificar uma marca em uma gôndola extensa. Displays menores podem estimular compras complementares em balcões e caixas.

A localização do material interfere no resultado

Dentro de uma mesma loja, os pontos de contato têm funções diferentes. A entrada oferece visibilidade, mas o consumidor ainda pode estar orientando sua visita. Os corredores permitem contextualizar produtos e categorias. A gôndola aproxima a mensagem da comparação entre marcas, preços e tamanhos. O caixa favorece itens de decisão rápida ou complementar.

Por isso, é necessário planejar a campanha por zonas:

  • Entrada: construção de impacto e apresentação de campanhas;
  • Corredores principais: alcance e direcionamento;
  • Categoria: comparação, diferenciação e explicação;
  • Ponta de gôndola: destaque promocional e exposição adicional;
  • Caixa: compras rápidas e complementares;
  • Área de serviços: comunicação institucional ou de relacionamento.

A disponibilidade do produto também deve ser acompanhada. Um material bem-posicionado perde sua função quando a mercadoria não está na loja, aparece em quantidade insuficiente ou tem preço diferente daquele anunciado.

Telas e sinalização digital no varejo

Telas digitais permitem alterar campanhas com mais rapidez do que materiais impressos e adaptar a comunicação conforme horário, local, estoque, categoria ou calendário promocional.

Podem ser instaladas em entradas, corredores, balcões, áreas de espera, gôndolas e caixas. Dependendo da estrutura tecnológica do varejista, o conteúdo pode ser programado para lojas específicas ou diferentes períodos do dia.

Entre as aplicações estão:

  • Divulgação de ofertas;
  • Apresentação de lançamentos;
  • Demonstrações de uso;
  • Receitas e sugestões;
  • Combinação de produtos;
  • Orientação dentro da loja;
  • Campanhas institucionais;
  • Mensagens relacionadas ao contexto local.

A tecnologia, entretanto, não elimina a necessidade de planejamento criativo. Em áreas de passagem, vídeos longos, textos extensos ou informações dependentes de áudio podem não ser compreendidos. A mensagem principal precisa aparecer rapidamente, com contraste e tamanho adequados à distância.

Também não basta registrar quantas vezes o conteúdo foi exibido. Os padrões internacionais de retail media em loja diferenciam a reprodução do anúncio da oportunidade de uma pessoa efetivamente vê-lo. Essa distinção busca evitar que uma exibição técnica seja automaticamente tratada como audiência publicitária, conforme as definições publicadas pelo IAB e pelo IAB Europe para in-store retail media.

Sampling e demonstração reduzem a incerteza

Sampling é a distribuição de amostras para que o consumidor experimente um produto. A ação pode ser acompanhada por demonstração, explicação, degustação, orientação de uso ou entrega de materiais informativos.

A estratégia é especialmente útil quando sabor, fragrância, textura, funcionamento ou facilidade de utilização influenciam a escolha. Também pode ajudar no lançamento de produtos ou na entrada de uma marca em determinada categoria.

Uma boa ativação deve considerar:

  • Perfil do público da loja;
  • Horários e dias de maior afinidade;
  • Treinamento dos promotores;
  • Higiene e segurança;
  • Quantidade disponível;
  • Estoque para atender à demanda;
  • Abordagem respeitosa;
  • Forma de registrar experimentações e vendas.

O promotor não deve apenas repetir uma mensagem decorada. Precisa conhecer o produto, responder às dúvidas mais previsíveis e evitar uma abordagem insistente.

Para mensurar a ação, é possível comparar unidades experimentadas, cupons entregues, produtos vendidos, taxa de conversão e desempenho entre lojas ou horários. Quando viável, um grupo de lojas sem ativação pode servir como referência para estimar o resultado incremental.

Como integrar o PDV ao retail media?

Retail media é o uso dos ambientes, canais e dados de varejistas para oferecer comunicação publicitária às marcas. O ecossistema pode reunir site, aplicativo, busca interna, páginas de produtos, e-mail, mídia externa e pontos de contato dentro das lojas.

O Guia Retail Media Latam do IAB Brasil apresenta o retail media como uma atuação que pode acompanhar diferentes etapas da jornada e conduzir o público aos ambientes de venda. No espaço físico, isso inclui telas, sinalização digital e outros formatos próximos à compra.

A integração pode ocorrer quando uma mesma campanha aparece:

  • No site ou aplicativo do varejista;
  • Em produtos patrocinados nas buscas;
  • Nas comunicações do programa de fidelidade;
  • Em telas instaladas nas lojas;
  • Em materiais próximos à categoria;
  • Em cupons ou ofertas personalizadas;
  • Em ações realizadas fora dos canais do varejista.

Essa conexão permite trabalhar uma sequência. O consumidor pode conhecer uma oferta no aplicativo, reencontrá-la em uma tela da loja e identificá-la na gôndola. A mensagem, o preço, a disponibilidade e a identidade visual precisam ser consistentes.

A utilização de dados deve respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e as regras aplicáveis ao tratamento de informações. Para o anunciante, também é importante saber quais dados foram utilizados, como a audiência foi definida e quais critérios sustentam os relatórios.

Como planejar uma campanha no ponto de venda

O planejamento deve começar com uma pergunta concreta: qual comportamento a comunicação pretende estimular?

A resposta pode envolver experimentar um lançamento, localizar um item, escolher uma marca, aumentar a quantidade comprada ou adicionar um produto complementar. Cada objetivo exige uma combinação diferente de formato, posicionamento e indicador.

Antes da contratação, convém analisar:

  1. Em quais redes e lojas o produto está disponível?
  2. Qual é o perfil predominante dos consumidores?
  3. Em qual ponto da jornada a mensagem aparecerá?
  4. Qual formato é compatível com o ambiente?
  5. O produto terá estoque e reposição adequados?
  6. Qual é o período de veiculação?
  7. Haverá promoção de preço ou benefício adicional?
  8. Como serão monitoradas a instalação e a exibição?
  9. Quais dados estarão disponíveis depois da campanha?
  10. Como será estimado o resultado incremental?

A equipe de criação também precisa conhecer as especificações técnicas. Dimensões, distância de leitura, duração dos vídeos, luminosidade, materiais permitidos e regras operacionais devem ser confirmados antes da produção.

Indicadores para medir conversão e vendas

O indicador adequado depende do objetivo. Uma campanha de lançamento pode buscar experimentação e compradores novos. Uma ação promocional pode priorizar volume vendido. Uma tela institucional pode ser avaliada por alcance, atenção e lembrança.

Entre os principais indicadores estão:

IndicadorO que ajuda a avaliar
Vendas em unidadesVariação na quantidade comercializada
ReceitaValor gerado pelas vendas do produto
Taxa de conversãoRelação entre pessoas expostas, abordadas ou participantes e compras
Aumento de vendasDiferença em relação a um período ou grupo de comparação
Vendas incrementaisResultado adicional que provavelmente não ocorreria sem a campanha
Ticket médioMudança no valor médio das compras
Itens por compraPossível aumento da quantidade de produtos no carrinho
Participação na categoriaEvolução da marca dentro do conjunto de produtos comparáveis
Retorno sobre investimentoRelação entre o resultado financeiro e o investimento realizado
Ruptura de estoqueIndisponibilidade que pode ter limitado as vendas
InteraçõesLeituras de QR Code, uso de cupons, cadastros ou consultas
Novos compradoresConsumidores que ainda não compravam a marca ou o produto

A comparação simples entre vendas anteriores e posteriores pode ser insuficiente. Preço, sazonalidade, promoções concorrentes, disponibilidade, clima e fluxo da loja também interferem no desempenho.

Uma avaliação mais consistente compara lojas semelhantes, períodos equivalentes ou grupos expostos e não expostos. As diretrizes de mensuração de retail media do IAB e do Media Rating Council destacam a necessidade de transparência na coleta, padronização dos relatórios, mensuração de audiência e avaliação de incrementalidade.

Exposição não é sinônimo de conversão

Um material instalado não significa que ele tenha sido visto. Uma tela ligada não comprova atenção. Uma amostra entregue não garante compra. E o crescimento das vendas durante a campanha não deve ser atribuído automaticamente à mídia.

Entre os erros que comprometem a análise estão:

  • Contabilizar reproduções como pessoas alcançadas;
  • Desconsiderar a ruptura de estoque;
  • Comparar períodos com condições comerciais diferentes;
  • Não registrar os locais de instalação;
  • Utilizar o mesmo material em todos os ambientes;
  • Medir somente vendas totais, sem observar margem ou incrementalidade;
  • Alterar simultaneamente preço, exposição e distribuição sem documentar as mudanças;
  • Não definir uma referência anterior à campanha;
  • Avaliar retail media e trade marketing como iniciativas totalmente separadas.

Relatórios devem informar claramente o período, as lojas participantes, os formatos, as fontes dos dados e as limitações do método. Quanto maior a integração entre exposição e venda, maior deve ser o cuidado para distinguir correlação de efeito incremental.

Comunicação no PDV deve facilitar a escolha

A publicidade no ponto de venda atua em um momento de alta relevância, mas também de intensa concorrência por atenção. O consumidor precisa localizar produtos, interpretar preços, comparar opções e concluir sua compra. Uma campanha eficiente ajuda nesse processo.

Displays, totens, ilhas e telas funcionam melhor quando existe coerência entre mensagem, categoria e ambiente. Sampling e demonstrações agregam valor quando reduzem dúvidas reais. O retail media amplia as possibilidades ao conectar os contatos físicos a dados e canais digitais.

A última decisão de compra não é influenciada por um único material. Ela resulta da combinação entre visibilidade, relevância, disponibilidade, preço, experiência e confiança. Para anunciantes e varejistas, o desafio é transformar o ponto de venda em um meio de comunicação mensurável sem prejudicar sua função principal: atender bem e facilitar a compra.